
Poucos se recordam da importância da Peugeot na história da indústria automobilística no Brasil.
Foi de fabricação da marca francesa o primeiro veículo a circular por solo brasileiro. No ano de 1891 chegava no navio de luxo PORTUGAL, procedente da Europa, a máquina adquirida pela família de Alberto Santos Dumont e que regressava da França naquele ano. O modelo Peugeot tinha um motor Daimler, com dois cilindros em V e 3,5 CV de potência.
Mais conhecido pela sua paixão pela aviação, muitos dizem que o modelo apenas serviu para que Santos Dumont observasse detalhadamente as questões técnicas de sua construção.
Após esta breve introdução, referir que nosso editorial de hoje é muito mais uma opinião em relação a uma realidade, injusta quanto a nós. As marcas Citroen e Peugeot fazem parte de um mesmo grupo, o grupo PSA, e até pela sua história no marcado brasileiro podemos falar delas como uma mesma receita que continua sendo incompreendida pelo brasileiro.
Quando falamos da atualidade, e da qualidade que estas duas marcas francesas disponibilizam em seus produtos, sempre somos confrontados e questionados sobre questões como; mas e as peças são caras?- a manutenção é cara?- o preço de revenda é muito baixo?. A estas perguntas respondemos com uma opinião que mostra nossa visão sobre estes dois fabricantes.
Não, a manutenção não é cara, principalmente se analisarmos que a qualidade dos produtos leva a poucas quebras, e hoje em dia a manutenção preventiva dos veículos tem diferenças mínimas de preço entra elas. Esse por si só, não deveria ser mais um fator determinante na escolha ou não dos produtos.
Agora quando falamos de valor de revenda, observamos uma das pontas da psicose brasileira e que nos fez tomar a arriscada iniciativa de apresentar nossa opinião, aqui, em nosso editorial.
Umas décadas atrás, problemas típicos da historicamente conturbada economia brasileira, aliados a uma incorreta gestão das marcas no Brasil, levou a que a imagem desses dois importantes ícones da indústria francesa ficasse estigmatizada, com problemas que foram sendo corrigidos, e numa trajetória que nos trouxe até aos dias de hoje, e a alguns dos melhores produtos do mercado brasileiro.
Décadas atrás os veículos chegavam via importação, o câmbio era desfavorável, as peças demoravam e eram caras.
Mas quinze anos atrás, a fábrica de Porto Real (RJ) iniciou a produção dos veículos das duas marcas no Brasil. Mas aí mais alguns problemas que eram extensíveis a quase todas as opções presentes no mercado brasileiro. Fabricação de modelos “abrasileirados”, com poucos recursos técnicos, pouco conforto e principalmente defasados do que as mesmas marcas ofereciam em mercados externos.
Esses fatores levaram a uma continua desvalorização interna da imagem das duas marcas. Mas os anos foram passando, rotas foram sendo corrigidas, o dólar baixou, as importações dispararam, e de repente todo o mundo percebeu, que as versões vendidas lá fora, andavam décadas na frente. As marcas foram obrigadas a conviver com esse novo ingrediente que foi determinante para a transformação que Citroen e Peugeot, assim como tantas outras, foram obrigadas a fazer em relação aos produtos que disponibilizavam para o mercado e para o público brasileiro.
Ainda existem diferenças, claro, a qualidade de acabamento da fabricação nacional ainda apresenta notórias diferenças em relação aos produtos fabricados em outros países. O conhecido custo Brasil e fatores que passam por qualificação, qualidade dos materiais, entre outros tantos, levam a essa fácil conclusão.

Apesar de conquistas sucessivas no mercado, as duas marcas ainda sofrem com aquelas dúvidas do mercado que colocamos lá atrás, e que hoje não fazem mais o menor sentido.
O brasileiro é um cliente que decide muito pelo movimento de massas, com dificuldade para uma opinião própria e que pela alteração de postura através de escolhas independentes, leve também a alterações de mercado. Esse crescimento e mudança de posicionamento é trabalho para os especialistas em marketing e de mercado, e com toda a certeza alvo das atenções dos executivos do grupo PSA.
Concluímos que psicose é uma ótima palavra para traduzir a injusta reação do mercado em relação a duas marcas que oferecem produtos de muita qualidade, em conforto, segurança, tecnicamente avançados, e muito mais alinhados com as politicas comerciais das mesmas em outros países, não colocando mais o cliente brasileiro como um objetivo de segunda categoria, como acontecia, aliás, em anos não muito distantes.
Esta psicose que ainda leva potenciais clientes a observarem as duas marcas com desconfiança, e estigmatiza-las por clichês do passado como, manutenção e peças caras, e de modelos com revenda desvalorizada, o que é hoje completamente equivocada e leva ao que chamamos de injustiça de mercado, expressão que obviamente não existe no mundo empresarial.
A Citroen e a Peugeot pagam um preço alto demais por erros do passado. Uma mistura de responsabilidades que se divide entre suas gestões passadas, e o difícil e ainda pouco autónomo mercado brasileiro. Reitero minha opinião, as duas marcas apresentam algumas das melhores opções de mercado em praticamente todas as faixas de produtos em que competem com seus concorrentes, e um mercado cada vez mais “adulto”, menos influenciado por compras “formiguinha”, em que, se o vizinho do lado tem, eu tenho que ter igual, posicionará cada vez melhor estas duas excelentes opções no mercado brasileiro.
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